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segunda-feira, 12 de março de 2012

A influência da cultura americana no Brasil

Por Cultura Mix

O Brasil é um país relativamente novo frente àqueles do antigo continente, foi colonizado por escravos, índios e pessoas interessadas a fazer vida nova por aqui. Toda a influência cultural, de idioma, costumes, foi trazida de fora; posteriormente e pouco a pouco fomos construindo nossa identidade verdadeiramente nacional, tanto na literatura, moda, ideias e ideais.


No século XVIII, as maiores manifestações culturais eram vindas da França e assim permaneceu até começo do século XIX, a Bèlle Époque tropical se instalou de vez no país. Os franceses ditavam a moda, a música, tudo que era relacionado a eles era chique e imprescindível.

Mas a hegemonia da influência francesa não perdurou, a partir da década de 50 os Estados Unidos da América passaram a dominar o mundo, com a vitória na Segunda Guerra Mundial e também com o prestígio e glamour do cinema hollywoodiano, tudo culminou para fortalecer o poder americano no mundo e claro, no Brasil.

Os primeiros sintomas desse poderio foram no idioma, várias expressões americanas passaram a ser usadas no Brasil e permanecem até hoje, como hot-dog, cheeseburger, notebook, pendrive, sem contar as inúmeras fábricas de produtos que se instalaram no país e mudaram totalmente os hábitos alimentares do povo brasileiro.


As indústrias de automóveis, com seus modelos excepcionais, cheios de velocidade, os diferentes sabores de refrigerantes e os fast-food, todos viram no povo tupiniquim uma grande chance de ampliar seus negócios e manipular o comércio.

Além da mudança nos costumes alimentares, outras foram introduzidas no decorrer dos anos, principalmente as musicais, influenciadas pelo Rock americano e seus ídolos como Elvis Presley e James Jean que foram espelhos para toda a geração dos anos 60. Inclusive, esse ritmo musical influenciou nossa famosa Bossa Nova.

Os brasileiros assumiram também a moda americana, despojada e confortável, passaram a usar as minissaias, tênis e a mais que famosas calças jeans. O jeans tornou-se peça de uso fundamental de todos; antes eram destinados aos jovens rebeldes e depois vestiam desde as crianças de colo até os idosos, por serem baratos e tremendamente adaptáveis a qualquer situação.

Logo veio a liberação sexual, com a onda do Paz e Amor, os anticoncepcionais, a liberdade feminina, tudo que chegou ao Brasil passou antes pelos Estados Unidos, até parte de nossa constituição foi baseada na deles.


Sem esquecer que o dólar americano era uma das moedas mais fortes do mundo até bem pouco tempo, e nossa economia estava totalmente nas mãos dos EUA e dependíamos deles para tudo. Eles ditavam o que deveríamos ou não comprar, vender e negociar.
Mas o tempo de liberdade chegou e o Brasil finalmente conseguiu construir, impor e até exportar sua cultura, produtos, serviços, costumes e descobertas, conquistando seu espaço dentre as grandes potências mundiais.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Brasil, Portugal - Lá e Cá

Por Embaixada de Portugal no Brasil

Mistura de documentário com "talk show", o programa "Lá e Cá" é apresentado pelo jornalista brasileiro Paulo Markun e pelo português Carlos Fino, Conselheiro de imprensa da Embaixada de Portugal em Brasília.

Em conversas informais, eles debatem as semelhanças e as diferenças entre os dois países, fornecem informações para o telespectador compreender melhor os processos de cada país e tratam da evolução e perspectiva das relações entre o Brasil e Portugal.
 
A série aborda assuntos actuais e, quando necessário, resgata informações no passado, procurando sempre manter o olhar voltado para o futuro.Semelhanças e diferenças, curiosidades, subtilezas, resgate histórico e cultural entre dois países tão distantes e, ao mesmo tempo, tão próximos.
 
 

"Lá e Cá" tem como cenários de partida a casa de Paulo Markun, em Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina, no bairro Santo António de Lisboa, de influência açoriana, e a de Carlos Fino, em Fronteira, no Alto Alentejo Alentejo, em Portugal.
A partir daí, as reportagens abrem para todo o Brasil e todo o Portugal, com temas que vão da Cultura à História, passando pela Economia e a Emigração, num variado leque de assuntos que interessam tanto a portugueses como a brasileiros.
 
Lá e Cá - Programa 1 - Bloco 3
 
 

terça-feira, 6 de março de 2012

Imigrantes no Brasil

Por Info Jovem

A Imigração é considerada um fator importante para a formação do povo brasileiro, com influência direta em aspectos sociais, culturais e econômicos do país. Em linhas gerais, considera-se que as pessoas que entraram no Brasil até 1822, ano da independência, foram colonizadores. A partir de então, as que entraram na nação independente foram imigrantes.

Nas primeiras décadas do século XX o Brasil recebeu um grande fluxo de imigrantes estrangeiros que tentavam fugir de um contexto de guerra na Europa e na Ásia. Esses imigrantes eram originários principalmente de Portugal, Itália, Alemanha, Japão, Espanha e Polônia.

A seguir, alguns fluxos migratórios que chegaram ao Brasil.

AMERICANOS

A chegada americana no Brasil foi um movimento migratório do final do século XIX e começo do século XX, especialmente nas cidades de Americana e Santa Bárbara d’Oeste, no estado de São Paulo.
Em 1895 foi fundada a primeira Igreja Presbiteriana no povoado da Estação, em Santa Bárbara d’Oeste.

ALEMÃES

O RJ foi o primeiro estado brasileiro a receber imigrantes alemãs quando rumaram para a colônia suíça de Nova Friburgo. Eles exerceram maior influência na atual cidade de Petrópolis.

No estado de Santa Catarina, encontra-se a presença de imigrantes alemãs principalmente nas cidades de Pomerode, Blumenau (criada por um alemão – Hermann Blumenau), Joinville (antiga colônia alemã Dona Francisca), São Pedro de Alcântara (primeira cidade onde os alemãs aportaram) e Jaraguá do Sul.

Em 1824 chegam os primeiros colonos alemães ao Rio Grande do Sul, sendo assentados na atual cidade de São Leopoldo. Em algumas décadas, a região do Vale do Rio dos Sinos estava quase que completamente ocupada por imigrantes alemães.

Os imigrantes alemãos que chegaram ao PR no início do século XX, vindos diretamente da Alemanha, se estabeleceram, sobretudo, nas regiões leste e sul, em cidades como Curitiba, Ponta Grossa, Palmeira, Rio Negro, entre outras.

Foi no ES que os alemãos criaram a primeira igreja luterana da América Latina, na antiga Colônia de Santa Isabel. Tendo os Pomeranos se instalado em cidades como Santa Maria de Jetibá e Domingos Martins.Há também colônias alemãs no estados de Minas Gerais e São Paulo.

ÁRABES

A grande maioria dos imigrantes árabes, chegados ao Brasil, rumaram para São Paulo. Na capital do estado, os sírio-libaneses rapidamente formaram uma próspera comunidade de comerciantes. Foram os árabes que criaram a Rua 25 de Março, hoje um dos maiores centros de comércio do Brasil.

O estado de Minas foi o segundo estado a receber maior contingente de libaneses. Em muitas cidades, eles dominaram o comércio varejista.

O antigo Distrito Federal ocupou o terceiro lugar, seguido do estado do Rio de Janeiro. A presença do imigrante árabe na Amazônia também foi de fundamental importância.
Em Florianópolis, SC, também se encontra presente a cultura árabes, principalmente libaneses e sírios.

BOLIVIANOS

A partir da década de 1970, vê-se um razoável crescimento na entrada de imigrantes no Brasil. Estes imigrantes, porém, não têm o impacto demográfico que tiveram as outras imigrações mais antigas no Brasil. Assim, destacam-se recentemente os imigrantes bolivianos que são empregados nas pequenas indústrias de roupas de São Paulo, em geral propriedade de imigrantes coreanos.

COREANOS

A Imigração coreana no Brasil começou oficialmente em 23 de fevereiro de 1963. Atualmente, cerca de 90% dos imigrantes coreanos vivem na cidade de São Paulo. Alguns bairros com forte influência de imigrantes coreanos: Brás, Bom Retiro e Aclimação.

ESPANHÓIS

A pobreza e o desemprego no campo foram os responsáveis pela imigração espanhola no Brasil que se iniciou na década de 1880, sendo 75% com destino às fazendas de café em São Paulo, tornando-se o terceiro maior grupo a trabalhar nos cafezais. No final do século XIX, a grande maioria era de galegos, que se abrigaram nos principais centros urbanos brasileiros, sendo eles: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia.

FINLANDESES

A imigração finlandesa no Brasil deu-se já no século XX, com destino a região do Vale do Paraíba, no estado do Rio de Janeiro. Lá eles criaram um povoado chamado Penedo, próximo ao Parque Nacional do Itatiaia, na cidade de Itatiaia. Eles criaram o Museu da Imigração Finlandesa, aos pés do Parque Nacional de Itatiaia, com objetos antigos, roupas e montagens cenográficas.

ITALIANOS

A imigração italiana no Brasil teve como ápice o período entre 1880 e 1930. O estado do Rio Grande do Sul recebeu a primeira leva de imigrantes italianos a chegar ao Brasil, encontram-se principalmente nas cidades de Caxias do Sul, Farroupilha, Bento Gonçalves etc.

Em Santa Catarina, encontramos imigrantes italianos principalmente nas cidades de Nova Trento, Orleans, Lauro Muller, Urussanga etc. Embora tenha sido a região Sul a pioneira na imigração italiana, foi a Região Sudeste aquela que recebeu a maioria dos imigrantes. Isto se deve ao processo de expansão das lavouras de café em São Paulo, onde a mão-de-obra italiana foi a mais usada durante o ciclo do café no Brasil, do fim do século XIX ao início do século XX. Grande parcela desses imigrantes foi atraída pelos centros urbanos, em vez do campo, marcando definitivamente a conformação social de cidades como São Paulo. Daí o surgimento de bairros nos quais a presença de estrangeiros era marcante, como Bom Retiro, Brás, Bexiga e Barra Funda.

JAPONESES

A partir de 1908, o governo brasileiro fez um acordo com o governo japonês e passou a aceitar a entrada de imigrantes japoneses no Brasil. Tendo essa data como referencial, nesse ano de 2008 está se comemorando o centenário da imigração japonesa no Brasil.

No Brasil, em 2006 foi criada uma Comissão Nacional, aprovada em 2007, responsável pelas comemorações desse centenário. Foram criadas também algumas comissões estaduais e municipais.
No Japão, em janeiro de 2007, foi fundada a Comissão Organizadora do Ano de Intercâmbio Japão-Brasil.
O Brasil abriga a maior população japonesa fora do Japão, com mais de um milhão de nikkeis (termo usado para denominar os japoneses e seus descendentes).

O bairro paulistano da Liberdade representa um pedaço do Japão com vários pórticos vermelhos de templos xintoístas. Bastos e Pereira Barreto, no interior de São Paulo e Assaí e Uraí, no norte do Paraná, são cidades fundadas por imigrantes japoneses.
Em SC, encontramos a presença de japoneses principalmente na cidade de Frei Rogério.

JUDEUS

O Brasil foi palco para a primeira comunidade judaica estabelecida nas Américas. Com a expulsão dos judeus de Portugal, logo após a sua descoberta, judeus convertidos ao catolicismo (cristãos-novos) já haviam se estabelecido na nova colônia. Mas a maior parte dos primeiros judeus chegaram ao país na época das invasões holandesas do Brasil, em 1636. O Nordeste brasileiro ficou sob o domínio holandês por vinte e quatro anos e, neste período, a comunidade sefardita se estabeleceu no país, principalmente em Recife, onde tornaram-se prósperos comerciantes. Com a expulsão dos holandeses, a maioria dos judeus estabelecidos no Brasil fugiram para os Países Baixos, Antilhas ou para Nova York, onde fundaram a primeira comunidade judaica dos Estados Unidos.

Em 1870, como resultado da vitória da Prússia sobre a França, um grande número de judeus, particularmente alsacianos, vieram para o Rio de Janeiro e São Paulo; eram imigrantes refinados, responsáveis, inclusive, pela introdução da moda francesa no Brasil.
Em 1920, os judeus já compunham uma colônia imigrante significativa, aumentando ainda mais com a ascensão do nazismo na Alemanha no início dos anos 30.

Estima-se em, aproximadamente, 200 mil o número de judeus no Brasil; em São Paulo, concentram-se principalmente nos bairros de Higienópolis e Perdizes e, graças ao nível de educação desses imigrantes, ocupam hoje postos importantes na esfera governamental, empresarial, acadêmica e cultural.

LITUANOS

Os primeiros imigrantes lituanos a se estabelecerem no Brasil, aportaram na cidade de Ijuí, no Rio Grande do Sul. No PR, a cidade de Castro foi fundada por imigrantes lituanos.

No interior de São Paulo, os lituanos formaram colônias inicialmente em Ribeirão Preto, Araraquara, Colina e Barão de Antonina. Na cidade de São Paulo, o bairro de Vila Zelina é núcleo de uma comunidade de descendentes de lituanos.

NEERLANDESES

Os primeiros neerlandeses, vindos da Província Zelândia, fundaram a Colônia Holanda, no ES, ainda no século XIX. Já no século XX, neerlandeses, vindos da província Holanda do Sul, estabeleceram a colônia Gonçalves Júnior, no Paraná.

Em 1925, fundaram a Sociedade Cooperativa Holandesa de Laticínios Batavo, a primeira cooperativa de laticínios do Brasil, em Carambeí – PR. Após a Segunda Guerra Mundial, muitos neerlandeses chegaram ao Brasil. Um grupo de aproximadamente 500 imigrantes neerlandeses, oriundos da província Brabante do Norte, imigram para o Brasil e fixam-se na antiga fazenda Ribeirão em São Paulo. Lá os imigrantes neerlandeses fundam em 14 de julho de 1948 a colônia Holambra I e a Cooperativa Agro Pecuária Holambra.

Um grupo de imigrantes neerlandeses fixa-se, em 1949, na fazenda Monte Alegre, no Paraná. Neste mesmo ano, outro grupo desembarca em Não-Me-Toque, no RS. Em 1951, um grupo estabeleceu a Colônia Castrolanda, no PR. Em 1960, um grupo estabeleceu-se em Arapoti, também no PR e neste mesmo ano, outro grupo fundou a Colônia Holambra II em Paranapanema, São Paulo.
Colônias Neerlandesas em MG: Paracatu – 1972 e Brasolândia – 1985.

POLONESES

Os povos eslavos, em sua maioria poloneses, formaram a maior corrente imigratória no estado do Paraná. Entre 1869 e 1920, estima-se que 60.000 poloneses entraram no Brasil, dos quais 95% estabeleceram-se no Paraná, nas colônias de Mallet, Cruz Machado, São Mateus do Sul, Irati e União da Vitória e na região de Curitiba. Em menor quantidade, rumaram para o interior dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

PORTUGUESES

A presença de imigrantes portugueses é forte nas cidades de Florianópolis, Itajaí, São José, São Francisco do Sul e Governador Celso Ramos, no estado de SC. Um fator importante foi à imigração açoriana para a região sul do país, onde fundaram a vila Porto dos Casais, que em 1810 passou a se chamar Porto Alegre – RS.

No final do século XIX, as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo receberam a maioria desses imigrantes de Portugal. O RJ constitui o maior centro urbano concentrador de portugueses e seus descendentes.

SUÍÇOS

Os suíços foram os primeiros imigrantes europeus a se estabelecerem no Brasil, depois dos portugueses. Os primeiros imigrantes chegaram ao Brasil entre 1819-1820, oriundos do cantão de Friburgo, e batizaram o lugar de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.

Outro fluxo de suíços foi encaminhado para o Sul do Brasil durante todo o século XIX, com destaque para o grupo de imigrantes chegados a Colônia Dona Francisca (hoje Joinville), em Santa Catarina. Não se sabe ao certo quantos suíços imigraram para o Brasil, pois muitos deles eram contados como sendo alemães, porém, a presença dos imigrantes suíços no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Espírito Santo e no Sul do Brasil é notável.

TCHECOS

Em Santa Catarina, os tchecos ocuparam principalmente as meso-regiões do Vale do Itajaí e Norte Catarinense, incluindo as microrregiões de Joinville, São Bento do Sul e Mafra, entre outras. No Rio Grande do Sul, distribuíram-se principalmente na região da Serra Gaúcha (notavelmente no município de Nova Petrópolis), no Litoral Norte, na região das Missões e na Depressão Central. No Paraná, os tchecos estabeleceram-se principalmente na região norte do estado, nos municípios de Londrina, Rolândia e Cambé, entre outros.

No século XX, muitos tchecos migraram também para a região centro-oeste do Brasil. Esses imigrantes chegaram principalmente nas décadas de 1940 e 1950, liderados por Jan Antonín, que fundou várias cidades no Brasil como Bataiporã, Bataguassu , Batatuba, Anaurilândia e Mariápolis.

segunda-feira, 5 de março de 2012

A influência cultural estrangeira é um mal?

Por Adriel Santos Santana em Série Maníacos


Não dá para negar que neste mundo globalizado, a influência cultural que certos países produzem sobre outros tem sido cada vez maior. De fato, o acesso a cultura estrangeira jamais foi tão fácil historicamente para as pessoas de todo o mundo e a maior parcela de “culpa” sobre esse fenômeno é justamente da internet. Mesmo assim, existe um número razoável de pessoas que não vêem com bons olhos essa influência e que costuma defender ou uma censura total a ela ou algum tipo de limitação, geralmente com a justificativa de “valorizar a cultural nacional”. A questão que se busca responder aqui é se essa influência cultural representa realmente algum perigo (seja lá de que tipo) ao país que a recebe.
Não pretendo me focar nesse texto nos países que censuram abertamente o que o seu povo pode ter ou não acesso, como é o caso do Irã e da China. É mais interessante, neste espaço, discutir a “censura democrática”, aquela que se dá via as inúmeras regulamentações criadas diariamente pelo congresso nacional. Esse modelo de censura geralmente está ligado à defesa de determinados direitos ou valores estabelecidos pelo país em questão. Assim, discutisse se essa modalidade é válida ou não e se ela é eficaz.

Acredito que não seja nenhum exagero afirmar neste blog que somos todos apaixonados por séries; Que gastamos horas e horas das nossas vidas as assistindo; Que vivemos fazendo referências de alguma maneira a elas na maior parte de nossas conversas diárias. Também acredito que todos nós fazemos isso porque gostamos daquilo que acompanhamos. Em resumo: nós escolhemos, dada as várias opções de entretenimento disponível nacionalmente e internacionalmente, assistir a estas produções. Portanto, a questão-chave nesse debate é a forma como dispomos da nossa liberdade.

Posta está premissa, uma informação ligada a este tema: está em circulação no Senado Federal Brasileiro o projeto de Lei nº PL 29/2007, que visa regular os serviços da TV paga. Ele traz em seu corpo a imposição por lei às operadoras e canais por assinatura da exibição de cotas de programas nacionais em suas grades. A PL 29 dispõe que nos pacotes oferecidos pelas empresas, a cada três canais que veiculam majoritariamente filmes, documentários, séries, novelas e programas de variedades, ao menos um deverá ser brasileiro. Além disso, as emissoras devem transmitir pelo menos três horas e meia por semana de conteúdo brasileiro, no horário nobre. Metade desta cota deverá ser produzida por produtoras independentes. O projeto ainda pretende aumentar o poder da Ancine (Agência Nacional do Cinema), que poderia assim decidir o tipo de conteúdo nacional que se julga adequado ou não. A justificativa daqueles que defendem o projeto é de que o produtor nacional tem poucas chances de chegar à TV comercial, e que, portanto, é preciso mais espaço e uma maior “democratização” do setor.

O grande problema desse tipo de iniciativa é que por mais bondosa que seja a sua intenção, ela termina tendo exatamente o efeito contrário ao pretendido. Explico: existe no Brasil um número considerável de TV públicas, federais e estaduais, que transmitem conteúdo cuja vasta maioria é nacional. Curiosamente, a audiência que estes canais possuem é extremamente baixa, se comparada a outras redes de televisão privadas no país. Por que tal fenômeno ocorre? Simples: porque a enorme fatia dos consumidores opta por outros tipos de entretenimento. Particularmente, não tenho nada contra a produção nacional, mas não posso concordar de forma alguma com a imposição desse tipo de conteúdo as pessoas. Afinal, trata-se de defender o direito basilar de livre escolha. Lembrem-se que um mercado livre tem como premissa o poder do consumidor. É este poder o responsável pela oferta e demanda de produtos e bens, incluindo aí as séries. Quando há intervenção estatal há restrição da “supremacia do consumidor”. Ou seja, o governo termina arrogando para si mesmo o poder – ou pelo menos parte do poder – que, na economia de mercado livre, pertence aos consumidores. Se há o problema de uma cultura de massa e uma produção artística visando apenas o lucro, certamente não é através da intervenção estatal que se corrigirá este problema. Como já apontava Drummond de Andrade ao criticar esse poder do Estado de financiar e intervir na cultura, “se tudo é arte, nada é arte”. Aliás, se o mérito artístico-cultural não pode ser medido por aqueles que o consomem, como definir o que nos interessa e o que não nos interessa?

Esse debate esconde na realidade um tipo infelizmente comum de preconceito, a xenofobia. É preciso compreender que quando um país ou uma determinada região abre suas portas para o mundo, não significa que ele está abrindo mão da sua identidade cultural local. O que essa gente não vê (ou simplesmente prefere ignorar) é que a globalização nos proporciona embarcar em um intercâmbio de experiências culturais, que em nada deprecia, mas, pelo contrário, enriquece. Essa estúpida guerra de braço que ridiculamente somos obrigados a acompanhar um tanto quanto passivos (mas sempre sendo as vítimas), não contribui em nada para valorizar a cultural nacional. Ela termina sendo no final das contas apenas uma maneira de restringir a liberdade individual.

A grande conquista da globalização, movida em grande parte pelo capitalismo, foi a de diminuir distâncias com o objetivo de criar negócios. Contudo, o que nenhum deles poderiam ter previsto, é que esse processo daria início a uma transformação fantástica em nosso mundo. A globalização gerou múltiplos intercâmbios comerciais, mas também permitiu que idéias, religiões e culturas entrassem em contato, produzindo assim uma troca de conhecimentos jamais vista na história da humanidade. Em seu próprio plano de importância, as séries de um país, sejam americanas ou britânicas em sua vasta maioria, exportam traços da cultura do seu país para o mundo, criando assim a possibilidade de que pessoas, que jamais se viram antes, que pensam de forma diferente, que falam línguas distintas, não só estejam reunidas em torno de uma obra, como possam igualmente admirá-las.

A globalização permite que um paquistanês e um indiano possam apreciar as tramas de Mad Men. Ela permite que um japonês e um chinês achem graça das mesmas piadas em Community. Permite que um irlandês e um inglês possam se emocionar com os acontecimentos de The Good Wife. Permite que um brasileiro e um argentino fiquem em estado de choque com os rumos de Fringe. É isso que a liberdade e o fluxo livre de idéias produz. A cultura do entretenimento tem sim o poder de nos separar, mas também o de nos unir. E é essa a sua enorme contribuição para a humanidade.

Acreditar que sem a intervenção estatal, diversas expressões culturais seriam silenciadas é patético. Chega a ser ridícula essas pessoas que crêem que sem regulações estatais a cultura local deixaria de existir. Essa gente tem a idéia de que existe uma cultura boa e uma cultura ruim. Só que não percebem que a intervenção estatal está distante da promoção da cultura nacional e local. As consequências podem ser notadas pelo excesso de “cultura” não apreciada nos canais públicos, onde são disponibilizadas de maneira “gratuita” (leia-se: paga com os nossos impostos). Como se não bastasse regularem o conteúdo da TV, é importante lembrar ainda que eles buscam nos impedir de ter acesso via downloads aos programas e séries estrangeiras, criminalizando essa ferramenta de distribuição.

Cada indivíduo, enquanto participante e consumidor, é responsável pelo o que é produzido amanhã. Por exemplo, se a cultura americana, propalada em seus filmes e séries, é mais valorizada, é porque nós, como pessoas livres, assim o escolhemos, e por isso mesmo sua influência tende a ser maior do que as demais. Não significa, é claro, que as determinações do mercado irão sempre dizer o que é uma boa cultura. Logicamente, o que vende muito não é necessariamente bom. Entretanto, existe a responsabilidade de cada um de não fazer morrer aquilo que se ajusta ao seu gosto, e isso nada tem a ver com impor, via determinação estatal, o que você considera ser culturalmente relevante ao próximo.