quinta-feira, 2 de julho de 2009

Estivemos em Cannes!!!

A ESPM foi a única escola brasileira no Festival de Cannes esse ano. Confira matéria que saiu no PQN - O Portal da Comunicação.

Sustentabilidade além da curva - Entrevista com Claude Ouimet



Confira entrevista ao Planeta Sustentável com o canadense Claude Ouimet, vice-presidente da InterfaceFLOR para América Latina e Canadá. Ele dá a sua receita básica: não se pode deixar investimentos voltados à sustentabilidade diminuírem, pois além do impacto social e ambiental deles, esses investimentos podem ser a corda de salvação de uma empresa. Isso, porque essas preocupações levam a corporação a repensar seus processos.

Segundo Ouimet, as companhias que estão pensando nos seus impactos ambientais e sociais estão à frente da curva. “Mas as empresas precisam refletir seus processos sempre e agora é justamente o melhor tempo para ganhar dinheiro respeitando o meio ambiente e gerando valor social”, diz o vice-presidente da Interface, que acredita que muitas empresas fecham suas portas nos primeiros quatro anos de existência por pararem de repensar seus processos. “Queremos apenas ser bons naquilo que fazemos e nos acomodamos. Assim, não se fica mais além da curva e o negócio perde”, completa.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Case - Concurso Banco Real Universidade Solidária

A associação dos catadores de material reciclável de São João del Rei foi criada em 2003, após mais de um ano de conversas entre os catadores e professores e alunos da Universidade Federal São João del Rei. Coordenado pela professora de psicologia Valéria Heloísa Kemp, o projeto multidisciplinar envolve outras áreas de conhecimento, como ciências contábeis, biologia e filosofia. A associação conta com a participação de 20 catadores. A produção média mensal de material reciclado é de 24 toneladas. Para melhorar as condições de trabalho dos catadores, foram dados os seguintes passos:

A primeira iniciativa foi criar uma associação que atendesse às necessidades dos catadores. Para isso, eles discutiram suas preocupações em dinâmicas de grupo organizadas pela Universidade Federal;

A Universidade criou um grupo multidisciplinar para participar do projeto, o que enriqueceu o escopo do trabalho. Enquanto alunos de psicologia davam conta das questões de liderança e trabalho em grupo, alunos de economia e ciências contábeis organizavam a gestão, e estudantes de biologia discutiam as formas de fazer a reciclagem;

Os alunos ficaram inicialmente à frente da associação, mas, com o tempo, passaram para a retaguarda, pois o objetivo era a autogestão;

A interação entre estudantes/professores/consultores e catadores foi importante para a criação de um modelo próprio que servisse àquela associação – como a implantação, por exemplo, de um software específico para controle financeiro;

Foram formadas diversas parcerias (prefeitura, Banco Real/Unisol, Fundação Banco do Brasil, CNPq), que não só ajudaram com recursos materiais para o projeto como também contribuíram para melhorá-lo. Com a verba do Concurso Banco Real Universidade Solidária, foi elaborado um projeto de educação para a reciclagem que ajudou a aumentar a produção e a renda dos catadores.

Para os catadores, a criação da cooperativa trouxe uma união de esforços e profissionalização que levou ao aumento da renda em 12 vezes e melhora da auto-estima. A atividade começou a ser encarada como uma profissão de fato;

Para os alunos e professores, a participação no projeto possibilitou encontrar soluções alternativas, que só poderiam aparecer com o intercâmbio de visões de mundo distintas; ensinou a trabalhar multidisciplinarmente e mostrou que é possível desenvolver projetos que possam fazer a diferença e mudar a sociedade;

Para a prefeitura de São João del Rei, foram encontradas soluções mais eficientes para dar destino ao lixo da cidade;

Para o meio ambiente, houve uma diminuição significativa de resíduos despejados em aterros, já que a reciclagem na região foi sextuplicada em dois anos de projeto;

Para a sociedade, a valorização do trabalho dos catadores possibilita a criação de empregos; o projeto de educação na vizinhança e nas escolas trouxe uma maior conscientização de cuidados com o ambiente em que se vive;

Para o Brasil, houve a criação de uma tecnologia própria, um software de gestão financeira que pode ser adaptado a outras experiências de economia solidária;

Para o Banco Real, o projeto reforça as iniciativas de sustentabilidade; além disso, os catadores passaram a integrar a chamada “base da pirâmide”: hoje são clientes do banco e fornecedores, pois fazem a reciclagem da agência de São João del Rei.