terça-feira, 17 de abril de 2012

A explosão do jornalismo

O jornalista francês Ignacio Ramonet – um dos estudiosos mais profundos, refinados e críticos da mídia convencional – lançou o livro A Explosão do Jornalismo. A grande novidade na obra é a esperança militante que o autor deposita na blogosfera, nas redes sociais e num novo jornalismo que se associe a elas.

Entrevista a Frédéric Durand, no L’Humanité | Tradução: Antonio Martins

Você afirma, em seu livro, que “o jornalismo tradicional desintegra-se completamente”

Ignacio Ramonet: Sim, inclusive porque ele está sendo atacado de todos os lados. Primeiro, há o impacto da internet. Parece claro que, ao criar um continente mediático inédito, ela produz um jornalismo novo (blogs,redes sociais, leaks), em concorrência direta com o jornalismo tradicional. Além disso, há o que poderíamos chamar de “crise habitual” do jornalismo. Ela é anterior à situação atual. Desdobra-se em perda de credibilidade, diretamente ligada à consanguinidade entre muitos jornalistas e o poder econômico e político, que suscita uma desconfiança geral do público. Por fim, há a crise econômica, que provoca uma queda muito forte da publicidade, principal fonte de financiamento das mídias privadas e desencadeia pesadas dificuldades de funcionamento para as redações.


A que se deve a perda de credibilidade?

Ignacio Ramonet: Ela acentuou-se nas duas últimas décadas, essencialmente como consequência do desenvolvimento do negócio midiático. A imprensa nunca foi perfeita, fazer bom jornalismo foi sempre um combate. Mas a partir da metade dos anos 1980, vivemos duas substituições. Primeiro, a informação contínua na TV, mais rápida, tomou o lugar da informação oferecida pela impressa escrita. Isso conduziu a uma concorrência mais viva entre mídias uma corrida de velocidade em que resta cada vez menos tempo para verificar as informações. Em seguida, a partir da metade dos anos 1990, com o desenvolvimento da internet. Particularmente há alguns anos, com a emergência dos “neojornalistas”, estas testemunhas-observadoras dos acontecimentos (sejam sociais, políticos, culturais, meteorológicos ou amenidades). Eles tornaram-se uma fonte de informações extremamente solicitada pelas próprias mídias tradicionais.


O público parece justificar sua desconfiança em relação à imprensa pela promiscuidade entre o poder e os jornalistas

Ignacio Ramonet: Para a maioria dos cidadãos, o jornalismo resume-se a alguns jornalistas: estes que se vê em toda parte. Duas dezenas de personalidades conhecidas, que vivem um pouco “fora da terra”, que passam muito tempo “integrados” com os políticos, e que, em toda o mundo, conciliam bastante com eles. Constitui-se assim uma espécie de nobreza política, líderes políticos e jornalistas célebres que vivem (e às vezes se casam) entre si mesmos, uma nova aristocracia. Mas esta não é a realidade do jornalismo. A característica principal desta profissão é, hoje, a precarização. A maior parte dos jovens jornalistas é explorada, muito mal paga. Trabalham por tarefa, muitas vezes em condições pré-industriais. Mais de 80% dos jornalistas recebem baixos salários. Toda a profissão vive sob ameaça constante de desemprego. Portanto, as duas dezenas de jornalistas célebres não são nem um pouco representativas, e mascaram a miséria social do jornalismo – na França e em mutos outros países. Isso não mudou com a internet – talvez, tenha se agravado. Nos sites de informação em tempo real criados pela maior parte da velha mídia, as condições de trabalho são ainda piores. Surgem novos tipos de jornalistas explorados e superexplorados. O que pode consolá-los é saber que, talvez, seu futuro lhes pertença.


Em seu livro, você afirma que o futuro dos jornais escritos é tornar-se imprensa de opinião. Por que?

Ignacio Ramonet: Os jornais mais ameaçados são, em minha opinião, os que reproduzem todas as informações gerais e cuja linha editorial dilui-se totalmente. Embora seja importante, para os cidadãos, que todas as opiniões se exprimam, isso não quer dizer que cada mídia deva reproduzir, em si mesma, todas estas opiniões. Neste sentido, a imprensa de opinião é necessária. Não se trata de uma imprensa ideológica, ligada ou identificada com uma organização política – mas de um jornalismo capaz de defender uma linha editorial definida por sua redação.

Na medida em que, para tentar enfrentar a crise da imprensa, os jornais decidiram abrir espaço, em suas colunas, a todas as teses políticas, da extrema esquerda à extrema direita, sob pretexto de que vale tudo, muitos leitores deixaram de comprar estas publicações. Porque uma das funções de um jornal, além de fornecer informações, é conferir uma “identidade política” a seu leitor. Porém, agora, o jornal não expressa mais o que são seus leitores. Estes, ao contrário, confundem as identidades dos jornais e se desconcertam. Eles compram, digamos, Libération, e leêm uma entrevista com Marine Le Pen. Aliás, por que não? Mas os leitores podem descobrir, por exemplo, que têm talvez algumas ideias em comum com o Front National. E ninguém lhes dá referências a respeito, o que provoca inquietação. Tal desarranjo confunde muitos leitores. Hoje, o fluxo de informações que transita na internet permite que cada um forme sua própria opinião. Em plena crise dos jornais, o sucesso do semanário alemão Die Ziet é significativo. Ele escolheu contestar as ideias e informações dominantes, com artigos de fundo – longos e às vezes árduos. As vendas crescem. No momento em que toda a imprensa faz o mesmo – artigos cada vez mais curtos, com um vocabulário de 200 palavras, Die Ziet escolheu uma linha editorial clara e distinta. Além disso, seus textos permitem lembrar de que o jornalismo é um gênero literário…


Os novos espaços midiáticos podem modificar as relações de dominação que prevalecem hoje no seio da própria sociedade?

Ignacio Ramonet: Dediquei um capítulo inteiro de meu livro ao WikiLeaks. É o terreno da transparência. Em nossas sociedades contemporâneas, democráticas e abertas será cada vez mais difícil, para o poder, manter dupla política: uma para fora e outra, mais opaca e secreta, para uso interno, onde há o direito e risco de transgredir as leis.

O Wikileaks demonstrou que as mídias tradicionais já não funcionavam nem assumiam seu papel. Foi no nicho destas carências que o Wikileaks pôde introduzir-se e se desenvolver. O site também revelou que a maior parte dos Estados tinham uma lado obscuro, oculto. Mas o grande escândalo é que, depois das revelações do Wikileaks, nada ocorreu! Por exemplo: revelou-se que, na época da guerra do Iraque, um certo grupo de dirigentes do Partido Socialista francês dirigiu-se à embaixada dos Estados Unidos para explicar que, se estivessem no poder, teriam envolvida a França na guerra. E este fato – próximo da alta traição – não provocou reações.


Fonte: Outras Palavras

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Existe jornalismo isento em uma emissora estatal?


Por serem órgãos atrelados aos governos estaduais, as rádios educativas dificilmente podem fazer um jornalismo isento quando o assunto em pauta são medidas tomadas pelo próprio governo. Para quem trabalha nessas emissoras fazer matérias contra o governo eqüivale ao mesmo problema que os órgãos comercias enfrentam em relação aos seus proprietários e patrocinadores.

A questão do comprometimento dos meios de comunicação e de sua interferência na formação de opiniões vem sendo analisada há bastante tempo por estudiosos da Teoria da Comunicação e de outras áreas interdisciplinares. Muniz Sodré trata a questão tentando mostrar que por terem uma função informativa (pelo menos em tese), os meios de comunicação muitas vezes acabam refletindo opiniões de grupos econômicos restritos (proprietários ou patrocinadores) sem que isso fique explícito.

Os meios de comunicação de massa, sob as aparências de ‘máquinas de informação', são, de fato, máquinas integradoras dessas simulações necessárias à nova ordem. Tendem a construir, assim, uma esfera autônoma – quer dizer, embora financiados por organizações econômicas ou industriais, os mass media não se apresentam como porta-vozes imediatos da ordem econômica – legitimada pela função suposta de “ligar” os indivíduos por meio da difusão de informações com um hipotético fundo comum.

Gilberto Nogueira e Kátia Aguiar, que também era redatora da Rádio, acreditam que, contudo, a qualidade do jornalismo da rádio melhorou na década de 90, principalmente, em função do avanço tecnológico. Eles apostam na formação de um público para o radiojornalismo através do resgate do imediatismo, a sua principal qualidade.

O jornalista Gilberto Nogueira compara a mobilidade conquistada com a tecnologia e os problemas enfrentados na criação do departamento de jornalismo da Rádio Cultura. As situações engraçadas ajudam a lembrar os problemas que foram enfrentados, principalmente, pelos repórteres.

Era muito difícil fazer matéria produzida. Até gravador pequeno nós não tínhamos. Precisava-se usar aqueles rádio-gravadores enormes. Na verdade, se pagava muitos ‘micos' quando acontecia uma coletiva e as pessoas tinham que colocar o rádio-gravador na frente do governador. Aí, a equipe da televisão não podia filmar com aquele trambolho na frente. Hoje em dia, quando você tem uma matéria para passar ao vivo, pode utilizar o telefone celular direto. Antigamente, tínhamos que gravar e sair correndo para um orelhão. Só depois o material era passado para a fita rolo. A fita rolo era levada para o estúdio, onde seria decupada, é só depois a notícia ia para o ar.

A jornalista Kátia Aguiar acredita que a prestação de serviços foi uma das características assumidas pelas rádios nos anos 90 que ajudaram a manter a audiência e a credibilidade.

Você já deve ter lido que com o advento da televisão anunciaram aos quatro ventos que o rádio iria terminar, o que não aconteceu. Na verdade, o rádio conseguiu se manter justamente quando conseguiu adquirir suas características próprias. Trabalho em rádio desde quando me formei, mas para mim o rádio ainda consegue superar a TV nesse aspecto do imediatismo, a não ser que o repórter não seja bom. Por isso, o rádio conquistou uma parcela da população que se tornou ouvinte cativo.

Sodré, Muniz. O Social Irradiado. São Paulo. Editora Cortez, 1992. P.44

Fonte: O Pará nas ondas do rádio

Leia mais:
Jornalismo e opinião

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Dicas Culturais do Fim de Semana - 13 a 15 de abril

CINEMA



12 horas [Gone, EUA, 2012], de Heitor Dhalia (Paris). Gênero: suspense. Elenco: Amanda Seyfried, Jennifer Carpenter, Wes Bentley, Sebastian Stan. Sinopse: Quando a irmã de Jill desaparece, ela se convence de que o seu seqüestro, ocorrido há dois anos, ainda não acabou, e resolve enfrentar mais uma vez o serial killer que ameaça sua família. Abertura nos EUA: US$ 4,7 milhões. Dif. (segundo fim de semana): -37,1%. Acumulado nos EUA: US$ 8,9 milhões. Duração: 94 min.




Área Q [Brasil/EUA, 2011], de Gerson Sanginitto (California). Gênero: suspense. Elenco: Murilo Rosa, Tânia Khalil, Isaiah Washington, Ricardo Conti. Sinopse: Na busca incessante para encontrar seu filho, Thomas se depara com um ser de outra dimensão que detém a resposta não só para o desaparecimento do menino, como também para o rumo de nosso planeta. Duração: 107 min. Classificação: 10 anos.




Como agarrar meu ex-namorado [One For The Money, EUA, 2011], de Julie Anne Robinson (PlayArte). Gênero: comédia. Elenco: Katherine Heigl. Sinopse: Divorciada e desempregada, Stephanie aceita o emprego de caçadora de recompensas na empresa de um primo. Seu primeiro alvo é o atraente Joseph, ex-policial foragido por quem ela tinha uma queda desde os tempos de escola. Abertura nos EUA: US$ 11,5 milhões (em 27/01/2012). Dif. (segundo fim de semana): -54,8%. Acumulado nos EUA: US$ 23,6 milhões. Duração: 89 min. Classificação: 12 anos.




O príncipe do deserto [Black Gold, França/Catar, 2011], de Jean-Jacques Annuad (Warner). Gênero: drama. Elenco: Antonio Bandeiras, Freida Pinto, Mark Strong, Tahar Rahim. Sinopse: Nos Emirados Árabes da década de 1930, um jovem príncipe fica dividido. Não sabe se deve seguir as idéias do pai, conservador, ou do sogro, liberal. Duração: 130 min.




Quem se importa? [Brasil, 2010], de Mara Mourão (Imovision). Gênero: documentário. Sinopse: Documentário sobre o trabalho dos Empreendedores Sociais, pessoas que estão mudando as sociedades através de ideias criativas e de impacto social suficientes para se transformarem em políticas públicas. Duração: 90 min. Classificação: livre.




Titanic 3D [EUA, 2012], de James Cameron (Fox). Gênero: drama. Elenco: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Billy Zane. Sinopse: Relançamento em 3D do filme de 1997, em homenagem ao centenário do naufrágio. Duração: 194 min.




A toda prova [Haywire, EUA, 2011], de Steven Soderbergh (Imagem). Gênero: ação. Elenco: Gina Carano, Channing Tatum, Ewan McGregor, Michael Douglas. Sinopse: Uma soldado parte em busca de vingança depois de ser traída e deixada para trás, para morrer. Abertura nos EUA: US$ 8,4 milhões (em 20/01/2012). Dif. (segundo fim de semana): -52,5%. Acumulado nos EUA: US$ 15,2 milhões. Duração: 111 min. Classificação: 14 anos.


Rio de Janeio

SHOW

Maria Gadu - Mais uma página
14 de abril



Mais uma página apresenta em seu repertório oito músicas em que Maria aparece também como compositora. Ana Carolina, Chiara Civello, Edu Krieger, Maycon e o americano Jesse Harris são parceiros em cinco destas composições. “Nunca tinha composto em parceria”, afirma Maria. O amigo Dani Black, que já teve suas “Aurora” e “Só Sorriso” gravadas em Maria Gadú Mulishow Ao Vivo, contribui com “Axé Acapella” em parceria com Luisa Maita e “Linha Tênue”. Maycon também mostra seu lado compositor em “Extranjero”, parceria com Cassyano Correr. O álbum ainda traz três regravações: “Anjo de Guarda Noturno” (Miltinho Edilberto), gravada originalmente pela banda Bicho de Pé, “Amor de Índio”, composta por Beto Guedes e Ronaldo Bastos, e “Oração ao Tempo”, de Caetano Veloso, e que está na abertura da novela A Vida da Gente.

Local: Vivo Rio
Endereço: Avenida Infante Dom Henrique, 85 - Parque do Flamengo - Rio de Janeiro – RJ
Horário: 22h
Preço: Os ingressos variam de R$30 a R$160
Classificação: 16 anos. Menores de 16 anos somente acompanhados do responsável legal.


TEATRO

Cabaret
até 10 de junho de 2012



Berlim, 1920, pós-Primeira Guerra Mundial. Em plena ascensão nazista, um cabaré sombrio e povoado de personagens frágeis, o Kit Kat Club, é cenário para dois romances sem final feliz. Uma inglesa, Sally Bowles, apaixona-se por um escritor americano, Cliff Bradshaw; e uma ariana, Fräulein Schneider, envolve-se com um judeu alemão, Herr Schuktz. As histórias de amor desenganado ilustram o musical “Cabaret”, adaptação de Miguel Falabella que estreia no Oi Casa Grande, com Claudia Raia.

Local: Oi Casa Grande
Endereço: Av. Afrânio de Melo Franco, 290 - Leblon – Rio de Janeiro - RJ
Horário: Quinta a sábado, 21h e domingo, 19h
Duração: 150 min.
Preço: Os ingressos variam de R$40 a R$120 Comprar
Classificação: 14 anos


EXPOSIÇÃO

Invenções do Feminino
até 31 de maio de 2012


A fotógrafa francesa de origem romena Irina Ionesco tem 18 trabalhos na mostra, incluindo fotos polêmicas que ela fez da filha, dos 4 aos 12 anos, que envolvem fetiches e nudez, e foram acusadas de pedofilia.

Local: Casa do Saber
Endereço: Av. Epitácio Pessoa, 1.164 - Lagoa - Rio de Janeiro - RJ
Horário: seg, ter, qua, qui e sex 11:00 até 20:00
Preço: Gratuito