Por Daniela Moreira da Exame
Exclusivo, badalado e lucrativo, o mercado de produtos e serviços de luxo está de portas abertas para os pequenos e médios empresários que souberem seduzir o consumidor. No ano passado, o segmento movimentou mais de 7,5 bilhões de dólares no Brasil, uma alta de 22% em relação ao ano anterior. A perspectiva é de crescimento acelerado pelo menos pelos próximos 20 anos, segundo especialistas no setor.
Em parte, a movimentação se deve ao interesse das marcas estrangeiras que deixaram o país de lado durante muito tempo e agora, motivadas pela crise que afeta seus mercados tradicionais, se voltam ao consumidor brasileiro. “Tem uma revoada de marcas que perceberam que perderam tempo chegando por aí”, antecipa Silvio Passarelli, diretor do programa de Gestão de Luxo da FAAP. “Antes éramos nós que íamos buscar as marcas lá fora, hoje são elas que querem vir para cá”, acrescenta Luz Vaalor, diretora da consultoria Valor Luxury Lab.
Mas o mercado de luxo não é restrito aos grandes. Segundo Passarelli, este é um terreno fértil para novos negócios de pequeno e médio porte. “Como a escala é pequena, se adéqua muito bem ao perfil do pequeno empreendedor”, justifica o especialista. Para ele, a invasão das marcas estrangeiras até ajuda a reforçar a cultura de consumo de luxo. “Tem um efeito de demonstração. As pessoas vêem esses produtos e passam a desejá-los”, diz.
As oportunidades estão em todos os segmentos – desde moda, sapatos e acessórios até turismo e decoração. “Em moda, há uma grande carência de bolsas e cintos de excelente qualidade, por exemplo. Em hotelaria, faltam hotéis e pousadas com alto padrão de serviços – o grande boom deve se concentrar no Rio de Janeiro, com os próximos eventos esportivos que a cidade vai receber. Já no setor imobiliário, há muito espaço para atuar na decoração dos imóveis de luxo”, destaca Luz.
O investimento para entrar no segmento não é necessariamente muito maior do que o exigido em outros setores. “O custo de abrir uma pequena joalheria artesanal ou uma loja de roupas com modelos super exclusivos não é proibitivo. O que impede o empreendedor de ter sucesso neste segmento é a mentalidade”, diz Passareli.
Segundo o professor, o empreendedor que quiser se dar bem nesta área deve ter o refinamento necessário para perceber o valor do produto que oferece. “Se ele achar uma bobagem alguém comprar uma bolsa por 1 mil reais, dificilmente vai vender uma”, exemplifica.
O bom gosto é, portanto, um atributo altamente desejável. Mas a principal característica que distingue um negócio voltado ao segmento de luxo é a qualidade. Um estudo feito pela Ipsos em pela Luxury Marketing Council (LMC), mostrou que 88% dos consumidores esperam qualidade superior ao adquirir um produto de luxo. A autenticidade apareceu em segundo lugar, com 85% das respostas.
“Qualidade vai desde a escolha da matéria prima até o alto nível de design e não se restringe ao produto, diz respeito ao próprio processo produtivo. Questões como o emprego da mão de obra correta e a preservação do ambiente são cada vez mais importantes”, destaca Luz. “O produto também tem que ser surpreende do ponto de vista de performance. Não basta oferecer uma cadeira bonita e durável se ela não for confortável”, exemplifica Passarelli.
A inovação também é um importante fator no mercado de luxo – segundo a pesquisa citada acima, 80% dos consumidores deste segmento valorizam este elemento. Foi com esta abordagem que a Ornare, especialista em móveis de alto padrão, conquistou o respeito e admiração dos seus clientes. A empresa foi fundada há 25 anos pelo casal de engenheiros Esther e Murillo Schattan tendo como proposta trazer coisas novas ao mercado brasileiro.
“Nós viajávamos muito e, naquela época, com a reserva de mercado e sem recursos de comunicação como a internet e o celular, as novidades demoravam para chegar aqui”, conta Esther. A estratégia da companhia para se manter entre as mais admiradas no seu segmento foi oferecer sempre produtos exclusivos, com detalhes que o cliente só encontra lá. “Acabamos de lançar um modelo de cozinha que tem um porta champagne acoplado ao tampo, por exemplo. São esses detalhes, junto com a qualidade dos produtos e o suporte que oferecemos ao cliente, que garantem o nosso sucesso”, opina a empresária.
O atendimento é outro importante diferencial para quem quer se destacar no setor. Na academia Fitness Together, franquia americana que chegou ao Brasil há dois anos, um único cliente chega a ser recebido por seis profissionais ao mesmo tempo. “Cada pessoa tem uma sala onde ela treina sozinha e o programa de treinamento é totalmente personalizado”, conta Newton Cavalieri, franqueador máster da marca no país. O aluno paga em média 110 reais por sessão, gastando 880 reais por um mês de treinamento.
Com cinco unidades em funcionamento, a rede planeja fechar pelo menos seis contratos para abertura de novas pontos este ano, mostrando que ainda há espaço de sobra para quem tem interesse em explorar o filão. O mercado de luxo deve crescer à taxa de 10% nos próximos anos, segundo Passarelli. Para o especialista, o único vilão da história pode ser a inflação que volta a rondar a economia brasileira. “É uma ameaça para todos os segmentos, não só para o de luxo. Os efeitos podem ser catastróficos”, alerta.
Fonte: Exame.com
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Dicas Culturais do Fim de Semana - 18 a 20 de novembro
CINEMA
Amores imaginários [Les amours imaginaires, Canadá, 2010], de Xavier Dolan (Festival Filmes). Gênero: romance. Elenco: Xavier Dolan, Monia Choki, Niels Schneider, Anne Dorval. Sinopse: Dois amigos, Francis e Marie, conhecem o sedutor e recém chegado Nicolas. Ambos se apaixonam pelo rapaz e começam a fantasiar uma relação, onde todos os gestos de Nicolas são interpretados como um sinal de sedução. Duração: 95 min. Classificação: 14 anos.
O céu sobre os ombros [Brasil, 2010], de Sérgio Borges (Vitrine) Gênero: drama. Elenco: Everlyn Barbin, Lwei Bakongo, Murari Krishna, Grace Passo. Sinopse: Uma mistura de documentário e ficção sobre o cotidiano de três personagens de classe média de Belo Horizonte: um transexual, um operador de telemarketing hare krishna e um escritor congolês. Duração: 72 min. Classificação: 16 anos.
A chave de Sarah [Sarah’s Keys, França, 2010], de Gilles Paquet-Brenner (Imagem). Gênero: drama. Elenco: Kristin Scott Thomas, Mélusine Mayance, Niels Arestrup. Sinopse: Uma jornalista vê a sua vida entrelaçada com a de uma menina que teve a família destruída no maior aprisionamento de judeus na França durante a Segunda Guerra Mundial. Duração: 111 min.
O garoto de bicicleta [Le gamin au vélo, Bélgica 2011], de Jean-Pierre e Luc Dardenne. (Imovision). Gênero: drama. Elenco: Cécile de France. Sinopse: Cyril, quase 12 anos de idade, tem apenas um plano: encontrar o pai que o deixou em um orfanato. O destino faz com que Samantha, dona de um salão de beleza, cruze o caminho do garoto. Duração: 87 min.
Passione [EUA, 2010], de John Turturro (Paris). Gênero: musical. Elenco: John Turturro, Max Casella, Nina Sastri. Sinopse: Um olhar sobre as raízes e tradições musicais de Nápoles, Itália, bem como sua influência sobre o resto do mundo. Duração: 90 min.
A saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1 [The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 1, EUA, 2011] de Bill Condon (Paris). Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner. Sinopse: Penúltimo capítulo da Saga Crepúsculo, uma das franquias de maior sucesso no cinema.
Rio de Janeiro
SHOW
Beth Carvalho
19 de novembro
No dia 19 de novembro, às 22h, a cantora Beth Carvalho estreia no palco do Vivo Rio, RJ, a turnê nacional de seu recém-lançado o álbum, “Nosso Samba Tá na Rua” (Selo Andança/EMI Music), o 36º da discografia da artista.
Local: Vivo Rio
Endereço: Avenida Infante Dom Henrique, 85 - Parque do Flamengo - Rio de Janeiro – RJ
Horário: 22h
Preço: Os ingressos variam de R$30 a R$150
Classificação: 16 anos. Menores de 16 anos somente acompanhados do responsável legal.
TEATRO
Saída de Emergência
de 18 de novembro a 16 de dezembro
Saída de Emergência é o nome do segundo solo de humor do ator e comediante Raul Franco, da Cia Os Fanfarrões.
Local: Teatro Vanucci
Endereço: R. Marquês de São Vicente 52 3.Piso Shopping da Gávea - Gávea - Rio de Janeiro - RJ
Horário: sextas, 23h
Duração: 60 min
Preço: R$60 e R$20 (Campanha Teatro Para Todos)
Classificação: 12 anos
Amores imaginários [Les amours imaginaires, Canadá, 2010], de Xavier Dolan (Festival Filmes). Gênero: romance. Elenco: Xavier Dolan, Monia Choki, Niels Schneider, Anne Dorval. Sinopse: Dois amigos, Francis e Marie, conhecem o sedutor e recém chegado Nicolas. Ambos se apaixonam pelo rapaz e começam a fantasiar uma relação, onde todos os gestos de Nicolas são interpretados como um sinal de sedução. Duração: 95 min. Classificação: 14 anos.
O céu sobre os ombros [Brasil, 2010], de Sérgio Borges (Vitrine) Gênero: drama. Elenco: Everlyn Barbin, Lwei Bakongo, Murari Krishna, Grace Passo. Sinopse: Uma mistura de documentário e ficção sobre o cotidiano de três personagens de classe média de Belo Horizonte: um transexual, um operador de telemarketing hare krishna e um escritor congolês. Duração: 72 min. Classificação: 16 anos.
A chave de Sarah [Sarah’s Keys, França, 2010], de Gilles Paquet-Brenner (Imagem). Gênero: drama. Elenco: Kristin Scott Thomas, Mélusine Mayance, Niels Arestrup. Sinopse: Uma jornalista vê a sua vida entrelaçada com a de uma menina que teve a família destruída no maior aprisionamento de judeus na França durante a Segunda Guerra Mundial. Duração: 111 min.
O garoto de bicicleta [Le gamin au vélo, Bélgica 2011], de Jean-Pierre e Luc Dardenne. (Imovision). Gênero: drama. Elenco: Cécile de France. Sinopse: Cyril, quase 12 anos de idade, tem apenas um plano: encontrar o pai que o deixou em um orfanato. O destino faz com que Samantha, dona de um salão de beleza, cruze o caminho do garoto. Duração: 87 min.
Passione [EUA, 2010], de John Turturro (Paris). Gênero: musical. Elenco: John Turturro, Max Casella, Nina Sastri. Sinopse: Um olhar sobre as raízes e tradições musicais de Nápoles, Itália, bem como sua influência sobre o resto do mundo. Duração: 90 min.
A saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1 [The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 1, EUA, 2011] de Bill Condon (Paris). Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner. Sinopse: Penúltimo capítulo da Saga Crepúsculo, uma das franquias de maior sucesso no cinema.
Rio de Janeiro
SHOW
Beth Carvalho
19 de novembro
No dia 19 de novembro, às 22h, a cantora Beth Carvalho estreia no palco do Vivo Rio, RJ, a turnê nacional de seu recém-lançado o álbum, “Nosso Samba Tá na Rua” (Selo Andança/EMI Music), o 36º da discografia da artista.
Local: Vivo Rio
Endereço: Avenida Infante Dom Henrique, 85 - Parque do Flamengo - Rio de Janeiro – RJ
Horário: 22h
Preço: Os ingressos variam de R$30 a R$150
Classificação: 16 anos. Menores de 16 anos somente acompanhados do responsável legal.
TEATRO
Saída de Emergência
de 18 de novembro a 16 de dezembro
Saída de Emergência é o nome do segundo solo de humor do ator e comediante Raul Franco, da Cia Os Fanfarrões.
Local: Teatro Vanucci
Endereço: R. Marquês de São Vicente 52 3.Piso Shopping da Gávea - Gávea - Rio de Janeiro - RJ
Horário: sextas, 23h
Duração: 60 min
Preço: R$60 e R$20 (Campanha Teatro Para Todos)
Classificação: 12 anos
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
O que é luxo pra você?
Por Bruno Astuto
Enquanto o traficante Nem era preso dentro da mala de um carro no Rio, abrindo a possibilidade de dar paz à imensa comunidade da Rocinha, acontecia no reino da fantasia o maior seminário sobre o universo do luxo realizado no país, comandado em São Paulo pela editora de moda inglesa Suzy Menkes. Ela é hoje — com razão — a maior autoridade do mundo da moda, e seu prestígio foi confirmado pela presença de boa parte dos grandes estilistas e designers do mundo, Christian Louboutin, Diane von Fürstenberg, Sarah Burton, Francisco Costa, só para citar alguns.
Na plateia, diretores das maiores empresas desse universo restrito e quase inatingível tentavam entender como o Brasil, com as maiores taxas de importação do mundo para produtos de luxo, se tornou de repente a “bola da vez”. E como eles deveriam agir para abocanhar mais fatias desse suculento e bilionário mercado.
Ouvi de tudo nessas palestras: declarações ufanistas de que “o tempo dos americanos e europeus havia acabado; agora era hora dos emergentes”; estilistas narrando suas trajetórias de sucesso; a importância de se parcelar em seis, sete, dez vezes para conquistar a clientela brasileira; e o entusiasmo ante os bons números da economia nacional. Naqueles dois dias de seminário, ninguém falou em Grécia, Itália, crise do euro e desemprego. Para aqueles gringos que chegavam do Hemisfério Norte em plena recessão caótica, o Brasil virou uma espécie de Jardim do Éden. E todos pareciam dispostos a morder o fruto proibido, no caso enfrentar os desafios das taxas de importação proibitivas que dobram os preços dos produtos e a confusa logística estrutural e aduaneira.
O luxo abordado pelos palestrantes era o dos sapatos, bolsas, joias, carros e vestidos caríssimos, o que transforma peças banais de uso pessoal em itens cobiçados, assinados, disputados e sinônimos de status. Luxo tem a mesma raiz da palavra luz (lux), é algo que resplandece e se destaca da manada de objetos e experiências que aparecem todos os dias em nossas vidas. Algo que dá uma momentânea sensação de alegria. E me peguei pensando, com a cabeça a léguas das palestras, que não existe um luxo eterno e encerrado em si mesmo. Assim, como a felicidade, que acontece em pílulas de tempo, existem vários luxos que se dividem em momentos, dependendo do nosso estado espírito.
Existe luxo maior para uma mãe do que assistir à formatura do filho, com a leve ilusão de que ela cumpriu sua missão e que a vida do rapaz agora está encaminhada, livrando-a das preocupações? O luxo para ela é assegurar o futuro daquele ser que ela colocou tão indefeso no mundo e que a fez descobrir um amor que nunca imaginara ser capaz de sentir.
Quando éramos crianças, luxo era poder correr de cá para lá, fazendo as maiores traquinagens, vendo televisão até tarde, armando aquela bagunça no quarto sem sermos incomodados por nossos pais. Para a adolescente, luxo é poder falar ao telefone com as amigas, sem a menor preocupação com a conta no fim do mês, é parecer adulta e ser respeitada como tal antes da hora, é sonhar com o dia em que mandará no próprio nariz e escolher a que horas e se vai jantar. Já o luxo de um jovem normal é sair da faculdade com o emprego garantido, um apartamento para começar a vida e amar e ser amado profundamente, mas, claro, com a abertura de beijar de vez em quando na boca de quem lhe der vontade.
Depois dos 30 e dos 40, o luxo pode se parecer com o do seminário de Suzy: um apartamento maravilhoso, um carro bacana, uma viagem de vez em quando para o exterior sem se preocupar tanto com a fatura do cartão, enfim uma conta recheada para bancar pequenos outros luxos. O tempo passa, o luxo muda — ora ele pode ser uma bolsa, ora um abraço confortante num momento de profunda solidão.
A glória mesmo deve ser chegar ao entardecer da vida e não precisar de nenhum luxo, esse sim o luxo supremo, a serenidade, que nos dá a calma certeza de que vivemos uma história de grandes emoções, tristes ou felizes. Essa paz interior não tem nada a ver com morte antecipada; mesmo porque a vida pode reservar grandes surpresas até o último sopro de segundo. A diferença é que encaramos essas surpresas como parte da vida, não como um luxo.
O grande luxo para mim na semana passada foi ver o início da libertação de mais uma comunidade de pessoas batalhadoras do jugo dos bandidos na cidade onde eu nasci. Não sei quanto tempo essa pacificação vai durar – tomara que seja para sempre -, mas é bom alimentar essa sensação que às vezes nos escapa diante dos tantos absurdos com que nos deparamos por aí.
A sensação de que, num mundo de descrença, desigualdade social e relações instantâneas e superficiais, o verdadeiro luxo é manter sempre a esperança no ser humano.
Fonte: Revista Época
Enquanto o traficante Nem era preso dentro da mala de um carro no Rio, abrindo a possibilidade de dar paz à imensa comunidade da Rocinha, acontecia no reino da fantasia o maior seminário sobre o universo do luxo realizado no país, comandado em São Paulo pela editora de moda inglesa Suzy Menkes. Ela é hoje — com razão — a maior autoridade do mundo da moda, e seu prestígio foi confirmado pela presença de boa parte dos grandes estilistas e designers do mundo, Christian Louboutin, Diane von Fürstenberg, Sarah Burton, Francisco Costa, só para citar alguns.
Na plateia, diretores das maiores empresas desse universo restrito e quase inatingível tentavam entender como o Brasil, com as maiores taxas de importação do mundo para produtos de luxo, se tornou de repente a “bola da vez”. E como eles deveriam agir para abocanhar mais fatias desse suculento e bilionário mercado.
Ouvi de tudo nessas palestras: declarações ufanistas de que “o tempo dos americanos e europeus havia acabado; agora era hora dos emergentes”; estilistas narrando suas trajetórias de sucesso; a importância de se parcelar em seis, sete, dez vezes para conquistar a clientela brasileira; e o entusiasmo ante os bons números da economia nacional. Naqueles dois dias de seminário, ninguém falou em Grécia, Itália, crise do euro e desemprego. Para aqueles gringos que chegavam do Hemisfério Norte em plena recessão caótica, o Brasil virou uma espécie de Jardim do Éden. E todos pareciam dispostos a morder o fruto proibido, no caso enfrentar os desafios das taxas de importação proibitivas que dobram os preços dos produtos e a confusa logística estrutural e aduaneira.
O luxo abordado pelos palestrantes era o dos sapatos, bolsas, joias, carros e vestidos caríssimos, o que transforma peças banais de uso pessoal em itens cobiçados, assinados, disputados e sinônimos de status. Luxo tem a mesma raiz da palavra luz (lux), é algo que resplandece e se destaca da manada de objetos e experiências que aparecem todos os dias em nossas vidas. Algo que dá uma momentânea sensação de alegria. E me peguei pensando, com a cabeça a léguas das palestras, que não existe um luxo eterno e encerrado em si mesmo. Assim, como a felicidade, que acontece em pílulas de tempo, existem vários luxos que se dividem em momentos, dependendo do nosso estado espírito.
Existe luxo maior para uma mãe do que assistir à formatura do filho, com a leve ilusão de que ela cumpriu sua missão e que a vida do rapaz agora está encaminhada, livrando-a das preocupações? O luxo para ela é assegurar o futuro daquele ser que ela colocou tão indefeso no mundo e que a fez descobrir um amor que nunca imaginara ser capaz de sentir.
Quando éramos crianças, luxo era poder correr de cá para lá, fazendo as maiores traquinagens, vendo televisão até tarde, armando aquela bagunça no quarto sem sermos incomodados por nossos pais. Para a adolescente, luxo é poder falar ao telefone com as amigas, sem a menor preocupação com a conta no fim do mês, é parecer adulta e ser respeitada como tal antes da hora, é sonhar com o dia em que mandará no próprio nariz e escolher a que horas e se vai jantar. Já o luxo de um jovem normal é sair da faculdade com o emprego garantido, um apartamento para começar a vida e amar e ser amado profundamente, mas, claro, com a abertura de beijar de vez em quando na boca de quem lhe der vontade.
Depois dos 30 e dos 40, o luxo pode se parecer com o do seminário de Suzy: um apartamento maravilhoso, um carro bacana, uma viagem de vez em quando para o exterior sem se preocupar tanto com a fatura do cartão, enfim uma conta recheada para bancar pequenos outros luxos. O tempo passa, o luxo muda — ora ele pode ser uma bolsa, ora um abraço confortante num momento de profunda solidão.
A glória mesmo deve ser chegar ao entardecer da vida e não precisar de nenhum luxo, esse sim o luxo supremo, a serenidade, que nos dá a calma certeza de que vivemos uma história de grandes emoções, tristes ou felizes. Essa paz interior não tem nada a ver com morte antecipada; mesmo porque a vida pode reservar grandes surpresas até o último sopro de segundo. A diferença é que encaramos essas surpresas como parte da vida, não como um luxo.
O grande luxo para mim na semana passada foi ver o início da libertação de mais uma comunidade de pessoas batalhadoras do jugo dos bandidos na cidade onde eu nasci. Não sei quanto tempo essa pacificação vai durar – tomara que seja para sempre -, mas é bom alimentar essa sensação que às vezes nos escapa diante dos tantos absurdos com que nos deparamos por aí.
A sensação de que, num mundo de descrença, desigualdade social e relações instantâneas e superficiais, o verdadeiro luxo é manter sempre a esperança no ser humano.
Fonte: Revista Época
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