*Por Bernadete Almeida para a revista Plurale
Muito se tem dito sobre o papel da liderança - atue esta na esfera pública ou privada – na alavancagem de modelos de gestão que incorporem a sustentabilidade como valor da instituição e princípio norteador da estratégica da mesma.
Ora remontamos aos empreendedores que perceberam nesta noção uma alternativa de posicionamento do negócio, como a precursora e lendária Anita Roddrick, que colocou em prática em sua empresa The Body Shop o “seu jeito de fazer negócios “ ou o trio Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos que anos depois, regem a minha, a sua, a nossa Natura nesta mesma perspectiva. Eles, em algum momento desta trajetória, talvez tenham sido incomprendidos ou mesmo tivessem se sentido como que pregando no deserto, mas o fato é que abriram (rentáveis e equlibrados) caminhos...
Ora ouvimos, entre incrédulos e esperançosos, depoimentos como o de Ray Anderson, CEO da holding global Interface que, no documentário The Corporation, revela a mudança pessoal e profissional vivida quando começou a se questionar acerca dos impactos adversos decorrentes das operações da empresa que dirigia. Isto nos anos 90...
Sem falar nos muitos gestores que, com menor notoriedade e exposição pública, tem levado as instituições onde ancoram sua energia, tempo, reputação e expertise a rever seus processos, princípios e práticas...
Mas ainda incipiente – ou pouco ruidosa, diria – tem se apresentado a discussão sobre o ambiente onde se forma esta nova liderança, considerando a escala demandada pelo momento de revisão de um modelo de consumo e produção – enfim, de desenvolvimento – em curso. Neste aspecto, assumamos: não há muito para onde fugir, vamos desaguar na universidade como um dos espaços potenciais para formação desta liderança.
Maria Thereza Leme Fleury, da FEA/USP , comenta , recentemente, em artigo publicado na Gazeta Mercantil, em abril do ano corrente , sobre a introdução do tema de sustentabilidade econômica, social e ambiental nos currículos das escolas de administração, “ em 2006, a Case Western Reserve University promoveu um encontro de lideranças acadêmicas e empresariais para a discussão de como os negócios poderiam contribuir para a construção de um futuro positivo. E uma das demandas patentes foi a dificuldade das empresas em encontrarem jovens profissionais capazes de articularem soluções voltadas para sustentabilidade empresarial” , exemplifica. Em 2008 – segundo a mesma autora - o encontro foi replicado no Brasil, os resultados foram semelhantes e uma das proposições colocadas pelos participantes foi a de investir em educação, reformulando os currículos, privilegiando sustentabilidade, empreendedorismo e responsabilidade social, podendo esta proposta permear as várias disciplinas do curso de administração ou constituir uma trilha no currículo regular, com disciplinas específicas voltadas para o tema.
Algumas instituições de nível superior no Brasil como a Fundação Dom Cabral, a Fundação Getúlio Vargas, a Universidade Federal Fluminense e a Escola Superior de Propaganda e Marketing - para ficarmos apenas em alguns exemplos - têm experimentado trazer esta perspectiva para a sala de aula, seja ancorando a discussão em disciplinas específicas na graduação, seja oferecendo linhas de pesquisa voltadas ao tema no mestrado, caso do Latec/UFF. Outras escolas de negócios como a Fundação Dom Cabral e a Fundação Getúlio Vargas já têm consolidados seus núcleos para estudos da sustentabilidade, atuando em parcerias com os setores público e privado, a mídia e entidades do terceiro setor.
Na ESPM RJ temos nos debruçado também sobre esta questão. A responsabilidade social e a sustentabilidade são princípios formalmente definidos pela instituição, mas em que medida esta perspectiva tem impregnado o ambiente de trabalho e as discussões em sala de aula - aconteçam elas nas aulas de ecodesign, comunicação organizacional ou teoria das organizações? Que contribuição a universidade tem dado para qualificar o debate, atuando em rede com outras instâncias da sociedade, se constituindo em referência, mas sobretudo se configurando num espaço onde se repensa uma nova maneira de estar no mundo e nas organizações e instituições que integram este mundo?
Temos sistematizado estas reflexões e o caminho percorrido até então aponta para o entendimento de três dimensões a partir das quais se dá a ancoragem deste processo – a dimensão interna, a dimensão político-institucional e a dimensão acadêmica. A dimensão interna equivaleria a assumirmos que a universidade é uma organização que tem um corpo funcional, uma estrutura de gestão, uma estrutura física, processos e relacionamentos constituídos e permeando tudo isto uma coisa meio amorfa, intangível, pouco compreendida, muitas vezes, mas facilmente reconhecida, chamada “ambiente de trabalho”. E como muitas organizações privadas já perceberam, não dá para se auto-declarar socialmente responsável aos quatro ventos sem cuidar bem, primeiramente da sua própria casa. Na universidade não é diferente. A comunicação flui bem? Existe plano de carreira, os salários são pagos em dia e os funcionários, corpo docente e discente são respeitados na sua singularidade e se sentem integrados à instituição? Podem parecer questões básicas, mas temos assistido a um desgaste de alguns destes aspectos em muitas instituições de ensino superior Brasil afora...
A dimensão político-institucional diz respeito à contribuição que a academia pode trazer a discussão, a partir da sua própria perspectiva, mas atuando em rede e como caixa de ressonância, estabelecendo uma ponte entre o mercado que deseja um novo líder, um funcionário que entenda melhor o ambiente de negócios onde ele opera um empreendedor que ouça o novo consumidor que emerge e o aluno que também começa a se inserir produtivamente neste mundo, mas sob um novo paradigma, disposto a ajudar a fazer a diferença, nem que seja, no início, questionando algo bem próximo dele - os modelos de produção e consumo vigentes...
Mas é sobretudo na dimensão acadêmica que reside o grande desafio e oportunidade já que a discussão em torno dos programas de disciplinas , recortes de conteúdos e abordagens a serem preconizadas dentro dos cursos é ponto crucial do modus operandi e do modo pensante da universidade e revela ,incontestavelmente , até onde se está disposto a ir no sentido de trabalhar transversal e multidisciplinarmente a sustentabilidade e a responsabilidade social e ambiental nos currículos. Para tanto, há que se investir numa perspectiva integradora que contemple o professor e o aluno como agentes e beneficiários deste processo, na medida em que o paradigma da sustentabilidade traz, inevitavelmente, para quem tem olhos de ver e ouvidos para ouvir o convite para repensar sua maneira de ver o mundo e esta centelha é que ativará a formação de uma nova liderança, esteja ela vestida de executivo numa grande corporação , a serviço de agências de cooperação humanitária internacional ou à frente de seu próprio negócio.
Fonte: Plurale
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Ecoprático
E falando em Reality Show, o programa Ecoprático da TV Cultura exibido em 2009 deu o que falar.
Ecoprático é um reality show de temática ambiental que estreou em abril de 2009 na TV Cultura. Em cada episódio, uma família da região metropolitana da cidade de São Paulo tem seus hábitos e sua casa analisados por especialistas em sustentabilidade. Uma vez detectados os problemas, o programa “proporciona mudanças físicas e comportamentais nos participantes - aumentando as eco-práticas da casa e da família".
Mais do que discutir conceitos teóricos sobre a sustentabilidade, o Ecoprático tem como intenção principal apresentar situações práticas, mais próximas do dia-a-dia das pessoas. O objetivo é mostrar soluções simples que gerem economia de recursos naturais, de energia e de dinheiro. Para isso, o programa utiliza dez "eco-critérios" que são estudados e otimizados nas casas visitadas: água, alimentação, atitude, bem-estar, consumo, ecossistema, energia, estrutura, resíduos e transporte.
Para que você possa acampanhar, disponibilizaremos 3 episódios por semana (toda quarta-feira) durante o mês de agosto aqui no Conectado.
Episódio 1
Na casa dos Lyrios, nem tudo são flores: o banho demorado gera polêmica, a torneira pinga um oceano e o micro-ondas é a grande questão...
Ecoprático - Episódio 1 - Parte 1 from Ecoprático on Vimeo.
Ecoprático - Episódio 1 - Parte 2 from Ecoprático on Vimeo.
Episódio 2
Quanto o consumo pode ser exagerado? Aritmética dos Watts? Mega cleaner! E muito mais. Fortes emoções em uma pacata vila urbana
Ecoprático - Episódio 2 - Parte 1 from Ecoprático on Vimeo.
Ecoprático - Episódio 2 - Parte 2 from Ecoprático on Vimeo.
Episódio 3
Qual o peso do amor? A doce convivência de um casal laborioso. Naquela família, tudo ia muito bem até que um brotinho se colocou entre os dois...
Ecoprático - Episódio 3 - Parte 1 from Ecoprático on Vimeo.
Ecoprático - Episódio 3 - Parte 2 from Ecoprático on Vimeo.
Ecoprático é um reality show de temática ambiental que estreou em abril de 2009 na TV Cultura. Em cada episódio, uma família da região metropolitana da cidade de São Paulo tem seus hábitos e sua casa analisados por especialistas em sustentabilidade. Uma vez detectados os problemas, o programa “proporciona mudanças físicas e comportamentais nos participantes - aumentando as eco-práticas da casa e da família".
Mais do que discutir conceitos teóricos sobre a sustentabilidade, o Ecoprático tem como intenção principal apresentar situações práticas, mais próximas do dia-a-dia das pessoas. O objetivo é mostrar soluções simples que gerem economia de recursos naturais, de energia e de dinheiro. Para isso, o programa utiliza dez "eco-critérios" que são estudados e otimizados nas casas visitadas: água, alimentação, atitude, bem-estar, consumo, ecossistema, energia, estrutura, resíduos e transporte.
Para que você possa acampanhar, disponibilizaremos 3 episódios por semana (toda quarta-feira) durante o mês de agosto aqui no Conectado.
Episódio 1
Na casa dos Lyrios, nem tudo são flores: o banho demorado gera polêmica, a torneira pinga um oceano e o micro-ondas é a grande questão...
Ecoprático - Episódio 1 - Parte 1 from Ecoprático on Vimeo.
Ecoprático - Episódio 1 - Parte 2 from Ecoprático on Vimeo.
Episódio 2
Quanto o consumo pode ser exagerado? Aritmética dos Watts? Mega cleaner! E muito mais. Fortes emoções em uma pacata vila urbana
Ecoprático - Episódio 2 - Parte 1 from Ecoprático on Vimeo.
Ecoprático - Episódio 2 - Parte 2 from Ecoprático on Vimeo.
Episódio 3
Qual o peso do amor? A doce convivência de um casal laborioso. Naquela família, tudo ia muito bem até que um brotinho se colocou entre os dois...
Ecoprático - Episódio 3 - Parte 1 from Ecoprático on Vimeo.
Ecoprático - Episódio 3 - Parte 2 from Ecoprático on Vimeo.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
SWU e a gincana Impacto Zero
Festival de música combina com consciência ambiental? Para as 164 mil pessoas que lotaram os três dias de SWU, em outubro do ano passado, a resposta é sim!
“A quantidade de resíduos e de lixo que é fabricado num evento desse é muito grande, então ter um pensamento de como é que vai se resolver o problema que esse festival deixa depois não é só interessante, como deveria ser fundamental”, aponta o empresário Rafael Almeida.
Este ano, o SWU vem com mais novidades, especialmente para os estudantes universitários, a Gincana Impacto Zero.
A Gincana teve início no mês de junho desse ano e agora já está na fase do Reality Show exibido pelo canal Multishow e que apontará a dupla e a faculdade vencedora.
O reality vai durar 5 semanas, na qual 10 duplas, representando 10 projetos e 10 universidades de todo o País, estarão disputando um prêmio de R$ 500 mil para a implementação de seu projeto – além de uma bolsa de estudos no curso de empreendedorismo na Babson College, em Wellesley, Massachusetts, nos Estados Unidos.
Cada um dos participantes do Reality, independente de ter vencido ou não a competição, poderá assistir ao SWU Music & Arts Festival 2011 no camping, em um motor home, para viver e aproveitar cada momento do festival – além da participação diária no Fórum Global de Sustentabilidade.
Se você ainda não assistiu, o programa vai ao ar hoje às 18h30 no Canal Multishow.
Fontes:
SWU Impacto Zero
Fantástico
“A quantidade de resíduos e de lixo que é fabricado num evento desse é muito grande, então ter um pensamento de como é que vai se resolver o problema que esse festival deixa depois não é só interessante, como deveria ser fundamental”, aponta o empresário Rafael Almeida.
Este ano, o SWU vem com mais novidades, especialmente para os estudantes universitários, a Gincana Impacto Zero.
A Gincana teve início no mês de junho desse ano e agora já está na fase do Reality Show exibido pelo canal Multishow e que apontará a dupla e a faculdade vencedora.
O reality vai durar 5 semanas, na qual 10 duplas, representando 10 projetos e 10 universidades de todo o País, estarão disputando um prêmio de R$ 500 mil para a implementação de seu projeto – além de uma bolsa de estudos no curso de empreendedorismo na Babson College, em Wellesley, Massachusetts, nos Estados Unidos.
Cada um dos participantes do Reality, independente de ter vencido ou não a competição, poderá assistir ao SWU Music & Arts Festival 2011 no camping, em um motor home, para viver e aproveitar cada momento do festival – além da participação diária no Fórum Global de Sustentabilidade.
Se você ainda não assistiu, o programa vai ao ar hoje às 18h30 no Canal Multishow.
Fontes:
SWU Impacto Zero
Fantástico
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