terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Merchandising na TV brasileira


A tática é conhecida. Para não perder o telespectador que muda de canal quando entram os comerciais, as empresas de publicidade investem em merchandising - a propaganda feita dentro do programa, pelos próprios apresentadores. Mas o que antes era apenas mais uma prática de anúncio está se tornando onipresente na televisão brasileira. A afirmação é da empresa Controle da Concorrência, que monitora e presta serviços para o mercado publicitário. O diretor, Fábio Wajngarten, mostra em dados o que o espectador percebe em casa: o "merchan" nunca esteve tão em alta na TV.

A pedido da reportagem, a empresa fez um levantamento das inserções de merchandising entre os dias 15 e 31 de março nos programas "CQC" (Band); "Domingão do Faustão" e "Big Brother Brasil 9" (Globo); "Domingo Legal" (SBT); "Hoje em Dia" (Record) e "Pânico na TV!" (Rede TV). Os números mostram que o "merchan" está presente com força em todos eles. "Há formatos inovadores como o do 'CQC' e há aqueles que incomodam muito o telespectador", explica Wajngarten.

A Central Globo de Comunicação disse que a "principal regra que orienta o merchandising é a adequação." E, ao que tudo indica, a Globo vai continuar investindo pesado no gênero de publicidade, inclusive com novas tecnologias. A próxima tática será o "merchan virtual" em novelas. A nova tecnologia será capaz de trocar anúncios brasileiros por anúncios estrangeiros quando o programa for vendido no exterior.

O apresentador do "CQC", Marcelo Tas, assume o peso do merchandising em seu programa, mas diz que há regras para nortear sua inserção. "Nenhum integrante do programa fala do produto, ou seja, não dizemos: beba, compre, use. Aparecemos em ação nos camarins ou saindo do programa, nunca na bancada." E assume: "É claro que recebemos cachê para fazer isso. Não dá para o programa se manter sem o ‘merchan’". Para ele, a publicidade brasileira é bastante criativa. “Só acho que está na hora dela acordar para as novas mídias e para as novas formas de inserção comercial. Vivemos uma era onde não adianta mais apostar apenas na mídia papai-mamãe e programar só a “Veja” e o Jornal Nacional. O telespectador e o consumidor de forma mais ampla está muito mais exigente e ligado em outras telas”, constata.

A importância dos anúncios no orçamento é enorme. Conhecido por ser defensor do gênero, o apresentador esportivo Milton Neves se diz orgulhoso de seus resultados. "Combater a publicidade e o merchandising é utopia. Na TV, você só fica no ar se tiver faturamento ou audiência. Em 2002, durante a Copa do Mundo, fiz 22 inserções, um recorde."

O tipo de merchan que mais incomoda o telespectador, segundo os próprios setores de marketing das emissoras, é o que interrompe a atração para o apresentador dar "um recadinho". Marcus Vinicius Chisco, diretor de merchandising da Record, explica que dentro do "Hoje em Dia" há tanta demanda por publicidade porque os apresentadores abordam vários segmentos. "Entendemos que o 'merchan' interruptivo afeta o programa, por isso nos preocupamos em fazer de uma forma que haja integração com a pauta."

Fontes: Bem Paraná; Ypsilon 2
; AdNews

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Como funcionam os Reality Shows?



Os reality shows de TV têm suas origens remotas nos programas de jogos no rádio e nos programas de calouros, e passaram pelos programas que usam câmeras ocultas e por séries televisivas em estilo documentário. O gênero agora abarca dramas sem roteiro, sagas de reforma total de uma pessoa ou casa, ataques a celebridades, programas que promovem mudanças de estilo de vida, busca de namorados e namoradas e toda espécie de competição que você consiga imaginar (além de algumas inimagináveis).

Por definição, reality shows são, em essência, programas sem roteiro que não empregam atores e se concentram em imagens de eventos ou situações reais. Esse tipo de programa freqüentemente emprega um apresentador para contar a história ou preparar o cenário para os dramas que acontecerão. Ao contrário de programas roteirizados como séries, novelas e jornais, os reality shows não dependem de roteiristas e atores, e boa parte do processo é comandada pelos produtores e uma equipe de editores. Por conta disso, o formato pode ser bastante barato do ponto de vista da produção.

O aspecto que define os reality shows é, provavelmente, a maneira pela qual são gravados. Quer eles aconteçam em locações reais com pessoais reais (como um documentário), sejam gravados em estúdio com audiência que participa do programa ou utilizem câmeras ocultas, os reality shows dependem de que as câmeras capturem tudo tal como acontece.

Até que ponto se pode considerar um reality show como real? Embora isso certamente varie de programa para programa, considerem o seguinte: todos os conceitos foram criados por alguém (em geral o produtor), as pessoas que participam são selecionadas ou contratadas de alguma maneira e, embora as imagens possam ser reais, são em geral sujeitas a extremos de edição.

Os reality shows normalmente não têm roteiros, mas muitas vezes há um roteiro técnico ou um delineamento que detalha aspectos de um episódio ou parte do programa. Por exemplo, em programas como "The Real World" ou "Big Brother", que se passam em áreas confinadas, o roteiro técnico indica que salas ou câmeras operarão. Em programas como "Survivor" ou "The Amazing Race", o roteiro pode definir um desafio específico. O roteiro técnico também pode promover conflito entre alguns dos participantes (ao colocar pessoas específicas como colegas de quarto ou parceiros, a exemplo do que já aconteceu em "The Real World" e "Beauty and the Geek"). Em casos extremos, um roteiro técnico pode incluir um storyboard - uma representação visual do conceito que ilustra fisicamente aquilo que acontece em uma cena.

Em última análise, produtores e editores de reality shows têm enorme controle sobre o que acontece nos programas, nem que seja pelo fato de que foram eles que selecionaram aquelas pessoas, e são eles que selecionam que imagens vão ao ar. Também podem usar um recurso conhecido como frankenbiting (edição Frankenstein) para montar uma conversa, usando trechos de diálogo editados para criar um diálogo ou situação que não ocorreram de fato. O uso de técnicas como o frankenbiting - e de um editor esperto - pode criar alianças, paixões, brigas e relacionamentos. Imagens registradas a dias de distância podem ser mostradas como se constituíssem uma única cena ou situação.

Outra coisa que separa os reality shows dos programas roteirizados é o uso de atores. Os reality shows são teoricamente povoados por pessoas comuns - um sujeito qualquer, um nerd, a menina da casa ao lado - e não por atores. Mas depois das temporadas iniciais de "The Real World", "Survivor", "The Bachelor" e "American Idol", se tornou rapidamente evidente que muitos dos candidatos a esses programas eram atores desempregados ou aspirantes a atores ansiosos por algum tempo diante das câmeras. No entanto, desde que o resultado seja divertido, ninguém parece estar se queixando - as pessoas continuam querendo mais.

Fonte: Como tudo funciona

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Stand up comedy, gênero em alta no humor brasileiro


Quem é que não gosta de se acabar de rir, de soltar as amarras, livrar-se um pouco da chatice do trabalho e das responsabilidades? Pois é exatamente isso que os humoristas que desenvolvem o estilo Stand-Up Comedy proporcionam a quem os assiste. O termo vem do inglês, e literalmente traduzindo, significa comédia em pé.

Criado na Inglaterra e difundido entre os anos 50 e 60, nos EUA, o stand up comedy é baseado em textos que tratam sobre reflexões cotidianas e neuroses urbanas.

Esse tipo de humor privilegia o comediante de "cara limpa", ou seja, apenas um pedestal com microfone. O humorista se apresenta geralmente em pé (daí o termo 'stand up'), sem muitos acessórios de cenários, caracterização do público ou outros recursos teatrais. Muitos consideram o stand-up comedy um dos gêneros artísticos mais difíceis de serem executados e dominados, por conta da enorme dependência que o humorista cria com a audiência imediata, afinal, o stand-up comedian tem de saber adequar seu repertório de acordo com o humor e gosto de uma platéia específica.

O boom do stand up comedy no Brasil começou em 2004, quando foi fundado em São Paulo o Clube da Comédia por Marcelo Mansfield, Rafinha Bastos e outros humoristas. Logo em seguida, em 2005, surgiu o grupo carioca Comédia em Pé, criado pelos atores e diretores Claudio Torres Gonzaga, Fernando Caruso, Paulo Carvalho e Fábio Porchat.

Para Angela Dip, escalada para 1ª Mostra Paulista do gênero, a dificuldade de financiar produções com grande elenco e produção elaborada (em contraponto à praticidade do stand-up) contribuiu para a disseminação do formato:

"No stand-up, você chega cinco minutos antes e pronto. E ganha muita grana. Dá raiva em quem trabalha com teatro e tem de chegar pelo menos uma hora antes, dar uma aquecida, botar figurino e maquiagem, ensaiar, para às vezes ter dez gatos pingados na plateia. O pessoal só quer comédia. O que lota é bobagem".

Um dos precursores do stand-up no circuito paulistano, Rafinha Bastos diz que "esse tipo de arte tem a cara dos novos tempos, não tem muita frescura" e fala diretamente ao público: "Shakespeare não gera uma identificação tão instantânea quanto o stand-up".

Fontes: Diálogos Universitários; JB Online; Folha Online

Quer saber mais?
Clube da Comédia
Wikipedia
Revista Época